Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, o Brasil apresenta avanços importantes em sua trajetória de transição climática, mas ainda enfrenta desafios para alcançar suas metas de redução de emissões e consolidar uma economia de baixo carbono. Essas perspectivas são apresentadas no capítulo dedicado ao Brasil no DDP Report 2025, que avalia os avanços e os desafios da transição climática ao longo da primeira década do Acordo de Paris.
O sumário de uma página do capítulo brasileiro destaca que as emissões do país, após aumentarem de 1,5 GtCO₂e no período de 2015–2018 para mais de 2,0 GtCO₂e entre 2019 e 2022, voltaram a cair para 1,7 GtCO₂e em 2025, principalmente em função da retomada das ações de proteção e fiscalização florestal. Ainda assim, o nível registrado permanece acima da meta estabelecida na NDC brasileira para 2025.
O uso da terra permanece como um dos principais fatores da dinâmica das emissões brasileiras. Segundo o relatório, desde 2023 a combinação de medidas de comando e controle e instrumentos econômicos contribuiu para uma redução de 40% no desmatamento anual da Amazônia, reforçando a importância da governança do território para a trajetória climática do país.
O documento também destaca a característica particular da matriz energética brasileira. O setor AFOLU responde por quase 70% das emissões, enquanto o setor energético representa 20,5%. As fontes renováveis correspondem a 88% da geração de eletricidade e a 50% da matriz energética.
Entre os avanços identificados estão o crescimento das energias renováveis e dos biocombustíveis, a adoção de políticas que articulam objetivos climáticos e de desenvolvimento e a criação de instrumentos financeiros para estimular investimentos compatíveis com a transição climática. O relatório também destaca iniciativas de planejamento de longo prazo, como o Plano de Transformação Ecológica e os planos setoriais de mitigação associados à NDC de 2024.
Ao mesmo tempo, permanecem desafios relacionados ao desmatamento ilegal, às emissões de metano da pecuária, às limitações de infraestrutura e armazenamento do sistema elétrico, à expansão da produção de combustíveis fósseis e à coordenação das políticas climáticas entre diferentes áreas do governo.
Para os próximos anos, o relatório aponta transformações necessárias em setores estratégicos, incluindo a eliminação sustentável do desmatamento ilegal, a restauração florestal, ganhos de produtividade na agricultura e pecuária, o fortalecimento da infraestrutura elétrica e dos sistemas de armazenamento e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com oportunidades relacionadas aos biocombustíveis, ao hidrogênio verde e aos combustíveis sustentáveis para aviação.
O Centro Clima/UFRJ participa da rede Deep Decarbonization Pathways (DDP), contribuindo para a produção de conhecimento e para as análises relacionadas aos caminhos de descarbonização e às transformações necessárias para uma economia de baixo carbono. A participação do Centro Clima na rede também se reflete na elaboração do capítulo sobre o Brasil do DDP Report 2025.
As discussões sobre os caminhos para uma transição climática justa e resiliente também estão presentes em projetos atualmente desenvolvidos pelo Centro Clima, como o JUSTPATH e o ACCLIMATE, que ampliam as frentes de pesquisa relacionadas aos desafios da transição climática.
Como parte da divulgação do capítulo brasileiro, o Centro Clima disponibiliza também o sumário de uma página em português, permitindo o acesso às principais conclusões do relatório por um público mais amplo. A versão original em inglês também está disponível para consulta.
Confira os documentos:
Sumário – Brasil | DDP Report 2025 – versão em português
Saiba mais sobre a publicação do capítulo brasileiro no DDP Report 2025:
