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Entre os dias 30 de junho e 4 de julho de 2025, ocorreu em Paris a primeira reunião de acompanhamento do projeto JUSTPATH, que teve início em janeiro deste ano e tem duração prevista de quatro anos. O Centro Clima foi representado pelo coordenador Emilio Lebre La Rovere, junto com os pesquisadores William Wills e Pedro Ninô de Carvalho, para discutir os avanços e promover o intercâmbio entre os centros de pesquisa participantes.
O JUSTPATH visa modelar cenários econômicos, sociais e ambientais para apoiar políticas públicas de descarbonização no Brasil, considerando a justiça social e a transição energética sustentável. Entre os temas abordados estão a melhoria dos modelos econômicos IMACLIM-BR e KLEM-BR, a análise dos impactos socioeconômicos da transição, o engajamento de stakeholders nacionais e a tradução dos resultados do primeiro Relatório do Global Stocktake (GST) para o contexto brasileiro.
O encontro aconteceu em um momento de cenário nacional complexo: o governo federal atual (presidência Lula 2023-2026) voltou a priorizar a agenda climática, apesar dos desafios econômicos, políticos e sociais. O Brasil registra crescimento do PIB, redução do desemprego, mas enfrenta inflação elevada, alta taxa de juros e pressão do Congresso contra algumas políticas ambientais.
No âmbito climático, o país trabalha na elaboração de um novo Plano Climático com 16 planos setoriais de adaptação e 7 de mitigação, além da implementação de um sistema nacional de comércio de emissões que deve estar operando até 2030. Paralelamente, há desafios como a extensão de subsídios a termelétricas a carvão e o avanço da exploração petrolífera em áreas ambientalmente sensíveis.
Dentre as prioridades estratégicas destacadas pelo projeto JUSTPATH para a descarbonização do Brasil estão a retomada de políticas efetivas de combate ao desmatamento, o desenvolvimento de mecanismos financeiros inovadores para viabilizar investimentos em infraestrutura de baixo carbono e restauração florestal, além do desenho de uma estratégia de longo prazo para uma transição justa e inclusiva.
Os modelos econômicos utilizados buscam integrar dados financeiros detalhados para analisar os custos de mitigação, impactos sobre emprego, desigualdade, inflação e investimentos, permitindo simular cenários que vão desde a manutenção das políticas atuais até a adoção de medidas agressivas para alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
O projeto JUSTPATH tem também a meta de contribuir diretamente para processos nacionais e internacionais, incluindo a formulação da próxima Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, a estratégia de longo prazo (LT-LEDS) e o aprimoramento do sistema de comércio de emissões.
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O professor e coordenador do Centro Clima, Emilio Lèbre La Rovere, participou de um podcast no evento Sustentabilidade Brasil 2025. O Sustentabilidade Brasil 2025 é um evento nacional de referência que reúne especialistas, líderes e agentes de mudança comprometidos com a construção de soluções práticas para os desafios ambientais e sociais do nosso tempo.
Emilio Lèbre La Rovere participou do podcast sobre “Mudanças Climáticas”. As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. As atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.
O professor recebeu o convite para participar da conferência devido à sua trajetória marcada pelo pioneirismo e pelo compromisso com a sustentabilidade. O professor Emílio Lèbre La Rovere é um dos especialistas brasileiros mais renomados em mudanças climáticas e transição energética. Criador do Programa de Planejamento Energético (PPE) da COPPE/UFRJ, ele tem contribuído de forma decisiva para a formação de gerações de profissionais e pesquisadores voltados à construção de um futuro ambientalmente responsável.
Desde 1992, o professor Emílio participa ativamente dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), sendo coautor de diversos capítulos fundamentais. Seu trabalho teve papel essencial no esforço coletivo que levou o IPCC a receber, em 2007, o Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento à comprovação científica do aquecimento global e à urgência das ações climáticas.
Atualmente, a temperatura média do planeta já está 1,4°C acima dos níveis pré-Revolução Industrial. Esse aumento representa riscos severos para ecossistemas, economias e populações em todo o mundo, especialmente as mais vulneráveis. Para evitar que esse aquecimento continue avançando, é imprescindível atingir emissões líquidas zero de CO₂. Isso significa que, embora não seja possível eliminar totalmente as emissões brutas, elas precisam ser equilibradas por mecanismos de remoção de carbono da atmosfera, como ocorre naturalmente por meio da fotossíntese. Nesse contexto, reflorestar e combater o desmatamento tornam-se medidas urgentes e estratégicas.
A transição para uma matriz energética de baixo carbono é prioridade absoluta. Além disso, o mercado de carbono, quando bem regulado e estruturado, pode ser um instrumento poderoso para acelerar essa transformação. O Brasil, com sua rica biodiversidade, matriz energética relativamente limpa e know-how técnico, tem todas as condições para assumir um papel de liderança global nesse processo.
Diante da realização da COP 30, marcada para novembro deste ano em Belém (PA), é essencial que o país se posicione de forma proativa, apresentando soluções concretas e sustentáveis. A trajetória do professor Emílio, seu legado acadêmico e suas contribuições à ciência climática são inspirações valiosas para esse novo ciclo de decisões urgentes e ações transformadoras.
Confira o podcast completo AQUI.
Foto: Professor Emílio e participantes do evento Sustentabilidade Brasil 2025.
Fonte: Sustentabilidade Brasil 2025
O canal do YouTube do Deep Decarbonization Pathways Initiative (DDP) acaba de lançar um vídeo exclusivo com a participação do Professor Emilio Lebre La Rovere, docente de Planejamento Energético e Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do CentroClima.
O vídeo integra a primeira edição da newsletter NDC Insights, que analisa as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e sua efetividade na promoção de transformações necessárias para mitigar as mudanças climáticas. Nesta edição, o destaque é o policy brief do IDDRI, "Ambition for action: a framework for assessing NDCs", que apresenta um quadro analítico para avaliar e fortalecer os compromissos climáticos dos países.
Em sua participação, o Professor La Rovere discute a evolução do debate climático no Brasil nos últimos 10 anos, as prioridades do país para sua próxima NDC e os preparativos para a COP30. Ele enfatiza a necessidade urgente de conter o desmatamento e reduzir as emissões da pecuária, dois desafios técnica e economicamente complexos. Além disso, ressalta que a transição energética no Brasil está em andamento, com o gás e o carvão assumindo um papel cada vez mais secundário em um sistema predominantemente renovável.
O vídeo está disponível no canal do DDP no YouTube e pode ser acessado AQUI.
Relatório 2025 – Uma Década de Ação Climática: Balanço e Perspectivas
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Às vésperas da COP30, que acontecerá em Belém (PA) em novembro de 2025, um artigo assinado pelos economistas Emilio Lèbre La Rovere (Brasil) e Jean-Charles Hourcade (França), publicado na plataforma Pluralia, lança um forte alerta: o evento representa um “SOS para o meio ambiente” brasileiro.
Os autores destacam que, embora a COP30 seja uma chance histórica para o Brasil liderar a agenda climática global, contradições internas — como obras em áreas sensíveis da Amazônia e falta de investimentos em infraestrutura sustentável — ameaçam a credibilidade do país como anfitrião.
Eles defendem uma abordagem baseada na justiça climática, com ações coerentes entre o discurso internacional e as políticas públicas locais, além da necessidade urgente de financiamento climático para países do Sul Global.
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O Professor Emilio La Rovere e o Deputado Estadual Carlos Minc apresentaram uma nova proposta em seu artigo "Critério para a Margem Equatorial", publicado no jornal O Globo. O artigo traz uma abordagem técnica e jurídica para despolitizar a discussão sobre a exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas, sugerindo a realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) para embasar as decisões sobre essa importante questão. Eles propõem que qualquer definição sobre o tema seja postergada até o primeiro semestre de 2026, após a realização da COP30.
Os autores destacam que a Margem Equatorial, uma região que engloba cinco bacias sedimentares e apresenta alta sensibilidade ambiental, ainda não passou por uma Avaliação Ambiental de Áreas Sedimentares (AAAS). Segundo eles, a implementação dessa avaliação é fundamental para determinar quais áreas são adequadas ou não para exploração, promovendo uma análise embasada e coordenada entre os diferentes ministérios envolvidos.
Em um contexto no qual o Brasil debate sua expansão na produção de petróleo diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, o artigo de Minc e Emílio também ressalta a necessidade de uma transição energética. Eles enfatizam o potencial dos recursos renováveis do país e argumentam que a exploração de áreas como a Margem Equatorial não é essencial, uma vez que o pré-sal ainda oferece grandes reservas de petróleo.
Com essa perspectiva, os autores buscam não apenas proteger o meio ambiente, mas também fortalecer a democracia brasileira, evidenciando a importância do planejamento e da prevenção nas políticas públicas relacionadas ao setor energético.
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