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O Centro Clima da COPPE/UFRJ, em parceria com o CIRED e o TERI, lançam durante um side event da COP30 no dia 20, a Proposta de Iniciativa Piloto voltada a ampliar o financiamento climático e apoiar países em desenvolvimento na implementação de trajetórias compatíveis com o Acordo de Paris. Na ocasião, também será apresentado o Summary Statement, documento que sintetiza os pontos centrais da proposta.
O texto discute como ampliar o uso de garantias públicas, consideradas essenciais para mobilizar grandes volumes de capital privado e reduzir os riscos que ainda limitam investimentos verdes. Atualmente, muitos países enfrentam restrições fiscais porque precisam registrar integralmente o valor garantido como passivo, o que encarece e desestimula o uso dessas garantias.
Para superar esse desafio, a iniciativa propõe a criação dos Mecanismos de Garantia Multi-Soberanos (MSGMs), permitindo que vários países forneçam conjuntamente garantias soberanas de alto nível (AAA+). Essa abordagem compartilhada reduz custos, aumenta a confiança dos investidores e viabiliza empréstimos mais acessíveis e de longo prazo para projetos climáticos no Sul Global. Os MSGMs trariam benefícios tanto para países em desenvolvimento, ao ampliar espaço fiscal e atrair investimentos, quanto para países garantidores, que ganhariam novas oportunidades de investimento seguro e fortaleceriam sua legitimidade internacional.
A proposta defende que a plataforma seja flexível, capaz de apoiar diferentes trajetórias de transição e de trabalhar com instituições de financiamento ao desenvolvimento, fortalecendo também iniciativas locais. Como próximo passo, sugere-se que a COP30 estabeleça um “laboratório de design” para construir regras operacionais e testar uma plataforma experimental com países pioneiros.
Além disso, a iniciativa embasa contribuições estratégicas para agendas internacionais. No âmbito do T20, o texto “Towards a multi-sovereign guarantee mechanism for low carbon investments and climate resilience in developing countries” destaca a importância de uma arquitetura de garantias multi-soberanas (MSGA) para mobilizar financiamento privado, reduzir riscos, facilitar fluxos de capital e apoiar o cumprimento das NDCs no contexto do Acordo de Paris. Essa arquitetura busca superar barreiras regionais e setoriais, fortalecer cadeias globais de valor e impulsionar a reforma da estrutura financeira multilateral.
A proposta também foi submetida ao Baku to Belém Roadmap to USD 1.3 Trillion no documento “A Multi-Sovereign Guarantee Mechanism to Accelerate Climate Investments in Developing Countries”. A submissão apresenta o mecanismo multissoberano como uma solução capaz de acelerar investimentos climáticos ao transformar garantias soberanas em instrumentos “não-dívida”, reduzindo custos de capital e ampliando os prazos de financiamento.
Acesse os documentos completos:
• Summary Statement
• Contribuição para o T20
• Submissão para o Baku to Belém Roadmap to USD 1.3 Trillion
A equipe do Centro Clima/UFRJ acaba de publicar o capítulo dedicado ao Brasil no relatório internacional Deep Decarbonization Pathways (DDP) 2025, documento que revisa os avanços e desafios de 21 países desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015. O capítulo traz uma análise aprofundada das trajetórias brasileiras de mitigação, abordando energia, uso da terra, desmatamento, governança e perspectivas de descarbonização até 2050.
O relatório aponta que, embora o Brasil tenha avançado significativamente em energia renovável com quase 90% da eletricidade de fontes limpas, o país ainda enfrenta gargalos estruturais, sobretudo relacionados ao desmatamento, à degradação florestal e à lentidão na expansão da infraestrutura para energias alternativas.
Entre os destaques positivos, o capítulo cita a rápida expansão da energia eólica e solar, que atingiu 90 GW, ante 60 GW há apenas dois anos. No entanto, limitações na rede de transmissão e mudanças regulatórias recentes reduziram investimentos, resultando em 11% de potencial perdido ou atrasado em 2024.
O pesquisador Emilio La Rovere, professor do Centro Clima/UFRJ, lembra que desafios importantes se concentram fora das usinas: falta de linhas de transmissão para escoar energia do Nordeste e ausência de leilões de equipamentos para armazenamento, essenciais para a confiabilidade do sistema.
Apesar da queda do desmatamento na Amazônia, o relatório alerta para a alta degradação florestal e para o avanço da perda de vegetação nativa em outras regiões do país. Ainda persistem entraves como grilagem, ocupações ilegais e insuficiência na implementação do Código Florestal.
La Rovere enfatiza que o país já demonstrou capacidade de reverter esse cenário entre 2004 e 2012, o Brasil promoveu uma das maiores reduções de emissões da história recente. Para recuperar essa trajetória, o pesquisador aponta prioridades como:
O capítulo chama atenção para pressões por expansão da produção e uso de petróleo e térmicas a gás, inclusive próximas a ambientes sensíveis. O relatório compara esse movimento a “financiar um carro caro e beberrão por 30 anos”: uma decisão que cria dependência e reduz incentivos a transições mais baratas e limpas.
O relatório DDP mostra que muitos dos 21 países estudados:
Ainda assim, gargalos persistem, como:
La Rovere destaca que, no Brasil, o Plano de Transformação Ecológica ajuda a reorganizar políticas e financiamento para modernizar setores produtivos, atrair investimentos verdes e gerar empregos.
Henri Waisman, diretor da iniciativa junto ao IDDRI, afirma:
“A lição final é simples: precisamos avaliar, aprender e elevar a ambição de forma contínua traduzindo tudo em ações efetivas para enfrentar a crise do clima nesta década decisiva.”
O capítulo brasileiro produzido pelo Centro Clima/UFRJ reforça o papel essencial da ciência na orientação de políticas públicas, economia, infraestrutura e planejamento de longo prazo, contribuindo para que o país avance de forma consistente rumo a uma trajetória de neutralidade climática.
Relatório completo do DDP 2025 acesse AQUI
Capítulo sobre o Brasil (PDF) acesse AQUI
Fonte: oeco
O professor Emilio Lèbre La Rovere, do Centro Clima da COPPE/UFRJ, participa de diversos eventos paralelos da COP-30, em Belém, entre os dias 10 e 20 de novembro de 2025. As atividades abordam temas centrais das discussões climáticas atuais, como planejamento energético, transição justa, financiamento climático, governança, e cooperação internacional.
A programação inclui mesas sobre a implementação do Plano Clima no Brasil, a importância das hidrelétricas e da descarbonização da matriz energética, transporte de carga compatível com o clima, mercados de carbono nos países do BRICS, financiamento verde e mecanismos de garantias multilaterais. Também haverá debates sobre o papel da ciência e da diplomacia na ampliação da ambição climática e sobre inovação tecnológica para a transição energética.
Confira a programação completa das participações do professor:
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou, no dia 11 de novembro de 2025, às 16h, na Casa da Ciência do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA), uma edição especial da revista Parcerias Estratégicas dedicada ao tema “Mutirão científico brasileiro para a COP30”. O lançamento integrou a programação da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima e marcou um momento simbólico para o compromisso do Brasil com a ciência, a inovação e a cooperação internacional como pilares para a ação climática e o desenvolvimento sustentável.
Publicada semestralmente e de distribuição gratuita, a revista Parcerias Estratégicas tem como missão divulgar e debater temas nas áreas de educação, ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Nesta 55ª edição, o foco está na reflexão e no debate qualificado sobre o papel da CT&I na agenda climática, abordando tópicos como cooperação internacional, transferência de tecnologias climáticas, finanças sustentáveis e transição energética.
Entre os destaques da coletânea está o capítulo “Mobilização de capital para o clima: o papel das garantias”, localizado na Seção 1 – Mutirão científico brasileiro para a COP30, na página 15, e assinado por Maria Netto, Emilio Lèbre La Rovere, Lucca Rizzo, Victoria de Castro e Jean-Charles Hourcade. O texto analisa instrumentos financeiros com foco na mobilização de capital e garantias climáticas, contribuindo para o debate sobre finanças sustentáveis e transição energética.
Os demais artigos oferecem uma visão ampla dos desafios e oportunidades da agenda climática global e nacional. São abordados temas como o uso da inteligência artificial na previsão de eventos climáticos extremos, a transição energética justa e inclusiva, o planejamento territorial em regiões afetadas pela seca e desertificação, as Soluções baseadas na Natureza (SbN) em áreas urbanas e o fortalecimento de cadeias sustentáveis de produção e pesquisa na Amazônia.
Ao reunir pesquisadores, gestores, formuladores de políticas e representantes da academia, o CGEE propõe um verdadeiro mutirão científico em prol do clima. A nova edição da Parcerias Estratégicas consolida a ciência como instrumento de transformação e cooperação internacional, contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras rumo a um futuro mais sustentável, equilibrado e de baixo carbono.
Confira a edição completa da revista Parcerias Estratégicas – Edição Especial: Mutirão científico brasileiro para a COP30 e conheça os artigos e análises que fortalecem o debate sobre ciência, inovação e ação climática.
A cidade do Rio de Janeiro sedia, até esta quarta-feira (5), o Fórum de Líderes Locais da COP30, evento que reúne prefeitos e especialistas do mundo todo para discutir estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O encontro faz parte da agenda global da Conferência do Clima da ONU, que será realizada em 2026, em Belém (PA).
Durante entrevista à Rádio Nacional do Rio, o professor Emílio Lèbre La Rovere, coordenador do Centro Clima da Coppe/UFRJ e membro do Conselho da Cidade, na área de Mudanças Climáticas, destacou a importância do envolvimento das administrações municipais no enfrentamento dos efeitos do aquecimento global.
Segundo o professor, as cidades são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa, o que torna a ação local essencial. Ele ressaltou que, embora muitas decisões dependam de políticas nacionais, há áreas em que os municípios podem e devem agir.
“Transporte urbano e saneamento básico são setores-chave. Investir em ônibus elétricos, infraestrutura para veículos de baixo carbono e reaproveitamento do biogás de aterros sanitários pode reduzir significativamente as emissões”, explicou.
La Rovere lembrou ainda que o Rio de Janeiro já apresenta avanços, como a captação de biogás no Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica e a implantação de painéis solares em áreas recuperadas, como o antigo aterro de Santa Cruz. No entanto, alertou que é preciso fortalecer também as políticas de adaptação climática.
O professor destacou que muitas das soluções necessárias já são conhecidas e não exigem tecnologias complexas, mas sim ação e continuidade. “Não precisamos reinventar a roda. As tecnologias e os diagnósticos estão aí. Falta vontade política e investimento”, disse.
O Fórum de Líderes Locais da COP30 segue até o dia 5 de novembro, com a participação de representantes de cidades de todo o mundo, incluindo o prefeito Eduardo Paes. O evento reforça o papel das metrópoles na construção de soluções concretas para o futuro climático do planeta.
Acompanhe a entrevista completa e saiba mais sobre o papel do Rio na agenda global do clima.
Fonte: Rádio EBC